História
O Villa Nova Atlético Clube (conhecido por Villa Nova ou apenas Villa) é um clube esportivo brasileiro sediado em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Foi fundado em 28 de junho de 1908 com o nome de Villa Nova Athletic Club (o nome da agremiação foi aportuguesado pelas reformas estatutárias posteriores) por trabalhadores ingleses da Saint John Del Rey Mining Company Limited.
É conhecido popularmente como O Leão do Bonfim, apelido que faz referência à mascote e ao bairro homônimo, localidade onde está sediado o clube alvirrubro. Seu estádio é o Estádio Municipal Castor Cifuentes, também conhecido como Alçapão do Bonfim, onde manda suas partidas desde 1930. O Villa Nova tem a maior torcida do interior de Minas Gerais, segundo pesquisa divulgada em janeiro de 2008 pelo Datafolha, e também é considerado o mais bem sucedido clube do interior do estado.
Dentre as principais conquistas do Villa Nova, destacam-se o Campeonato Brasileiro da Série B de 1971, cinco Campeonatos Mineiros, duas Taças Minas Gerais e quatro Campeonatos Mineiros do Interior, ostentando ainda seis vice-campeonatos mineiros em seu cartel. A conquista do Campeonato Brasileiro Série B de 1971 foi a primeira conquista de alguma divisão do Campeonato Brasileiro por um clube do interior de seu estado. Na primeira metade dos anos 1930 foi o grande time mineiro, conquistando quatro títulos estaduais e mais três do Torneio Início.
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Segundo clube mais antigo de Minas Gerais em atividade, o Villa Nova foi fundado em 28 de junho de 1908, em reunião no salão de honra da Câmara Municipal da então denominada Villa de Nova Lima, por operários e mineradores ingleses da Saint John Del Rey Mining Company Limited. Naquela data, elegeu-se sua primeira diretoria, que estava assim constituída:
Secretário e tesoureiro: José Furtado Leite
O Villa Nova foi primeiro clube em atividade a entrar nos gramados mineiros, o que ocorreu na partida em que o Villa derrotou o Combinado de Lagoinha, bairro de Belo Horizonte, por 2–1, em Nova Lima, no mesmo dia em que o Leão foi fundado. Sendo três meses e três dias mais novo do que seu rival histórico, o Atlético, o Villa carrega essa marca história de ser a primeira equipe mineira em atividade a entrar em campo, porque o Galo só foi jogar sua primeira partida em 1909, contra o Sport.
Dois anos depois, contra o Yale, o Villa faturou a primeira taça, ao vencer este rival de então, por 2–1. No dia 7 de setembro de 1910, alguns atletas do extinto Sport juntam-se a atletas do Morro Velho e do Villa Nova e realizam a primeira partida interestadual de Belo Horizonte. Essa equipe formada foi denominada de Combinado Mineiro, com o Riachuelo como adversário, equipe do Rio de Janeiro. O placar final foi de 7–1 para o Riachuelo.
O Leão foi também o primeiro clube mineiro a formar jogadores que disputariam uma Copa do Mundo com a Seleção Brasileira de Futebol, no caso, Zezé Procópio e José Perácio, em 1938, quando já não mais jogavam no Villa. Embora filiado à Liga Mineira desde 1915, apenas em 1927 o Villa Nova foi aceito como participante do Campeonato Mineiro, então Campeonato da Cidade de Belo Horizonte, sob a alegação de que a distância era grande (15 km), e dificultaria o deslocamento dos outros clubes até Nova Lima.
Outro momento de grande importância para o Villa Nova foi a criação da primeira liga profissional de futebol, em 1933, como resultado da presença cada vez maior de interesses econômicos de dirigentes e atletas, decorrentes da popularização do esporte, fato que também acontecia em vários estados do Brasil, assim como outros países nessa mesma época. Entre os grandes clubes mineiros, Atlético e Palestra também aderiram ao profissionalismo, seguindo uma tendência de crescimento e modernização que se manifestava em diversos campos da vida cultural belo-horizontina, enquanto o América permaneceu amador, capitulando ao profissionalismo apenas em 1943, dando espaço para o crescimento de seus rivais citadinos a partir daí.
Na década de 1930, marcada institucionalmente pela profissionalização, a hegemonia esportiva esteve sintomaticamente nas mãos do Villa Nova, seja pelos títulos conquistados, seja também por outras grandes campanhas nessa década, pois o Leão do Bonfim foi um dos baluartes da profissionalização do futebol em terras mineiras. Durante a passagem de Martim Francisco, técnico do clube em 1951, o treinador ficou conhecido como o inventor da formação 4-2-4. Tal fato foi destacado no livro 'Pirâmide Invertida' de Jonathan Wilson (considerado a Bíblia da história da tática no futebol).
O time profissional do Villa Nova participou dos campeonatos promovidos pela Federação Mineira de Futebol desde 1927, exceto o de 1995, quando o Leão disputou e foi campeão do Campeonato Mineiro Módulo II, sendo tetracampeão mineiro (1932, 1933, 1934 e 1935), além de campeão mineiro em 1951. A maior façanha do Villa Nova, entretanto, foi a de ter sido o primeiro campeão brasileiro da Segunda Divisão, em 1971, competição equivalente à atual Série B.
Em noventa campeonatos mineiros disputados até 2014, o Villa Nova chegou entre os cinco primeiros em 49 edições. No Villa, já despontaram craques como Arizona, os irmãos Juca, Vaduca e Osório, Anísio Clemente (Seleção Brasileira), Lito, Tião, Gato, Escurinho, Gil (Seleção Brasileira), Totonho, Luizinho (Seleção Brasileira), Perácio, Zezé Procópio, Geninho, Chico Preto, Canhoto, Alfredo Bernardino e tantos outros.
Patrocinado tradicionalmente pela Anglogold Ashanti, denominação atual da antiga Mineração Morro Velho S.A., com a qual mantém laços históricos profundos, o Villa conquistou em 21 de dezembro de 2007 o patrocínio adicional da Fiat. No final de 2014, o clube inaugura o centro de treinamento Anísio Clemente para base e profissional, com três campos em Nova Lima. Em 2015, o Villa Nova entrou em grave crise, com quedas no faturamento e consequentes salários atrasados que levaram os atletas a entrarem em greve. Apenas a categoria de base tinha bons desempenhos.
Após anos de más campanhas na elite mineira, foi rebaixado em 2020 pela segunda vez em sua história a nível estadual. O ano de 2021 começou da pior maneira possível: a Prefeitura Municipal de Nova Lima decidiu cortar a subvenção histórica destinada ao clube. Como era a principal renda do Leão, a equipe ficou perto de fechar as portas da maneira mais melancólica possível. No apagar das luzes, perto do início do Campeonato Mineiro do Módulo II, uma parceria com o Coimbra fez com que o Villa tivesse condições de disputar a competição. A jovem equipe de Contagem emprestou tudo para o Leão, em uma parceria nunca antes vista na história do futebol Brasileiro.
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